segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Já não se escrevem cartas de amor


Os sentimentos já não se guardam no interior dos envelopes. As palavras escasseiam nas pequenas folhas de papel dobradas em três. Pobre papel… Este, sentindo-se rejeitado, permanece nos blocos, envelhecido e desgastado, ansiando pelo toque da esfera de metal que nunca passa para deixar um rasto de tinta, para deixar a marca de um grande amor.

O tempo escasseia para que se escrevam grandes prosas românticas. E já não há quem aguente a espera pela chegada das palavras de amor. Os dedos irrequietos percorrem as teclas do telemóvel, o teclado do computador, não há tempo a perder. Se a mensagem de amor não é respondida de imediato é porque algo de fora do normal teve lugar. Os pensamentos soturnos abrem caminho na mente envenenada de amor: ficou sem bateria? O saldo acabou? A Net caiu? Já não me ama?! Só há descanso depois do pequeno envelope começar a piscar de novo no ecrã minúsculo.

As folhas em branco têm saudades de serem amarrotadas e deitadas fora em ataques de falta de inspiração. Os envelopes têm um desejo masoquista de sentirem a lâmina a rasgar parte de si, de serem abertos pelas mãos trémulas do enamorado ansioso, depois de dias, semanas de espera. Se não há inspiração basta um delete. Para abrir a esperada mensagem de amor um clique é suficiente. Já não há encanto?

Dantes o amor parecia mais real, cara-a-cara, corpo a corpo e por carta. Será? E se uma carta de amor for sempre uma carta de amor, independentemente do meio pelo qual é enviada? E se as grandes prosas de amor forem enviadas em tamanho de quatro mensagens ou num e-mail bastante pesado? Talvez o conteúdo não mude. Talvez apenas os meios se alterem, mas os sentimentos permanecem os mesmos.


Publicado originalmente no Esta Jornal, 23 Dezembro 2010



sábado, 27 de setembro de 2014

Pinturas de Jean-Marc Nattier: detalhes rococós

Jean-Marc Nattier (1685-1766) foi um pintor famoso por estar associado à criação de retratos no estilo rococó em França. 


As pinturas do movimento rococó retratam belos aristocratas vestidos com veludo, rendas elegantes e ricos bordados dourados.


Os rostos são suaves e rosados, femininos e eternamente jovens. 


 As figuras femininas são delicadas, as faces são infantis e sentimentais. As linhas da boca curvam-se num sorriso encantador e atrevido.


Fonte 1, fonte 2

domingo, 21 de setembro de 2014

A bela adormecida despertou

Estes vestidos magníficos fazem parte da colecção do estilista Rami Kadi, “Le Royaume Enchanté”, inspirada num conto de fadas, onde uma bela adormecida desperta de um longo sono para se encontrar no interior de um luxuoso palácio. A graciosa princesa desfila neste novo mundo repleto de opulência, envergando criações dramáticas e volumosas em tons pastel, feitas a partir de tecidos refinados e renda, com ornamentações florais.

 




Fonte

sábado, 19 de julho de 2014

The Devil’s Pet

A PyroPet, marca criada por Thorunn Arnadottir, é uma família de velas em forma de gatinhos que vão revelando uma surpresa à medida que queimam.


Thorunn teve esta ideia ao observar o corpo gordinho de um Pai Natal em forma de vela a derreter lentamente, a deformar-se e a criar uma triste poça de cera. O criador quis elevar este simples ritual de sacrifício num verdadeiro teatro macabro em cera. Então, surgiu a ideia de incorporar um esqueleto de metal dentro de uma vela em forma de gato, o Kisa. Este animal, umas vezes meigo e outras vezes temperamental e associado à bruxaria, foi a escolha perfeita, pois a vela sofre uma transformação de gatinho bonito para um chocante esqueleto, refletindo a dualidade da sua personalidade.






 A pele do adorável gatinho é derretida, revelando uma chama ameaçadora e um esqueleto queimado. Os dentes afiados brilham à luz do fogo e os olhinhos observam-nos sem pestanejarem.